Moyarte. Mônica Yamagawa.
Mônica Yamagawa
Home: página inicialMoyarte: perfil no FacebookMoyarte: perfil no InstagramMoyarte: perfil no Twitter
contato@moyarte.com.br

Centro de São Paulo

Igreja de São Francisco de Assis da

Venerável Ordem dos Frades Menores


Igreja das Chagas do Seráfico Pai

São Francisco da Venerável Ordem

Terceira de São Francisco da Penitência

largo de são francisco, 133 e 173

dicionário do centro de são paulo

atualizado em: 16 de junho de 2022
home > dicionário > Igreja de São Francisco de Assis da Venerável Ordem dos Frades Menores, Igreja das Chagas do Seráfico Pai São Francisco da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência

Largo do Capim, 1862/1863 (Largo de São Francisco)
Igreja de São Francisco de Assis da Venerável Ordem dos Frades Menores e Igreja das Chagas do Seráfico Pai São Francisco da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência
FOTOGRAFIA: Militão Augusto de Azevedo

 

Convento e Igreja: a arquitetura

Segundo o guia BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO, o conjunto possui dois pavimentos e a técnica construtiva é descrita como "taipa de pilão e embasamento de pedra".

Os frades receberam da Câmara de São Paulo o terreno para a construção da igreja em dezembro de 1642. Cerca de cinco anos depois, em 1647, foi inaugurado o Convento de São Francisco e São Domingos. Apesar de não existir registros iconográficos da época, é provável que a construção original do conjunto religioso era similar as de Pernambuco, registradas po Frans Post:

"Igreja arrematada por empena triangular ao lado do convento com pequenas e poucas janelas."

[BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO. São Paulo: SNM – Secretaria de Estado dos Negócios Metropolitanos, EMPLASA – Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A e SEMPLA – Secretaria Municipal de Planejamento, 1984, p.163.]

 

Em 1676, foi fundada a capela da Ordem Terceira na igreja franciscana:

"Como de hábito, ela se comunicava com a nave principal da igreja conventual por um grande arco, ficando em posição ortogonal ao corpo da igreja pela lado da Epístola."

[BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO. São Paulo: SNM – Secretaria de Estado dos Negócios Metropolitanos, EMPLASA – Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A e SEMPLA – Secretaria Municipal de Planejamento, 1984, p.163.]

 

Desde 1694 foram realizadas várias alterações na edificação e em 1783, o espaço foi ampliado, tornando a igreja independente do convento. Para a realização dessa ampliação, os frades franciscanos doaram o terreno necessário, porém, estipularam algumas condições para o acordo, relacionadas com as características arquitetônicas da nova igreja:

"terá fachada contígua à da igreja conventual, de modo a deixar transparecer a dependência espiritual daquela em relação à igreja dos frades."

[BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO. São Paulo: SNM – Secretaria de Estado dos Negócios Metropolitanos, EMPLASA – Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A e SEMPLA – Secretaria Municipal de Planejamento, 1984, p.164.]

 

Para a construção da Igreja das Chagas do Seráfico Pai São Francisco da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, ao invés de demolir a antiga capela octagonal, optaram por transformá-la em transepto. Em paralelo ao corpo da Igreja de São Francisco de Assis da Venerável Ordem dos Frades Menores, foi construída a capela-mor ao fundo e para frente, a nave, com direta comunicação com o adro. O antigo retábulo foi mantido, transformando-o em parte de uma pequena capela localizada dentro do transepto.

No início da década de 1790, ambas as igrejas exibiam novos frontispícios, pois os frades optaram por remodelar, também, a sua igreja:

"A igreja conventual ganhou a galilé, dependência arcaica mantida por tradição pelos franciscanos, e uma sineira. Aliás, a atitude de não ser valorizar plasticamente os campanários, recuando-os da fachada, ou de se adotar simples sineiras, parece ser também um arcaísmo, herdado da arquitetura medieval das ordens medicantes, onde por austeridade os sinos estavam proibidos."

[BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO. São Paulo: SNM – Secretaria de Estado dos Negócios Metropolitanos, EMPLASA – Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A e SEMPLA – Secretaria Municipal de Planejamento, 1984, p.164.]

 

Em 1934, a área onde estão as igrejas, sofreu remodelações: o terreno foi alterado para reduzir a íngreme escarpa do Vale do Anhangabaú, com isso os templos ganharam degraus e um muro de arrimo, para permitir o acesso às igrejas.

Sobre a parte interna das igrejas, na década de 1980:

"o de São Francisco encontra-se mais prejudicado, pelas reformas sucessivas e pelo antigo incêndio que consumiu o retábulo principal. O que lá existe foi encomendado na Alemanha pelos lentes da Faculdade de Direito, em auxílio à Irmandade de São Beneditino, então responsável pela igreja. É uma revivescência historicista do rococó germânico que não destoa da talha restante rococó, recentemente pintada de azul, merece também menção a pintra do forro abobadado que recobre a nave. Quanto à igreja dos terceiros, está bastante conservada, exibindo retábulos laterais que, como toda talha restante, são rococós e estão sendo também redourados e pintados de azul, no lugar do branco tradicional. A capela do transepto da Nossa Senhora da Conceição abriga o primitivo retábulo principal joanino, entalhado entre 1736 e 1740. A cúpula octagonal ostenta pinturas dos fins do século XVIII, sendo que dois painéis foram substituídos por clarabóias. Distribuem-se ppor toda a igreja e outras dependências inúmeras telas do século XVIII, executadas para a primeira capela e para a igreja atual."

[BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO. São Paulo: SNM – Secretaria de Estado dos Negócios Metropolitanos, EMPLASA – Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A e SEMPLA – Secretaria Municipal de Planejamento, 1984, p.164.]

 


Largo de São Francisco, 1862
FOTOGRAFIA: Militão Augusto de Azevedo

 

Santo Antônio & São Francisco em São Paulo

"É curioso observar que a fundação do Convento de São Francisco em 1642 não recebeu esse nome que conserva até hoje e é por ele conhecido. A primeira fundação, segundo Azevedo Marques, fora feita com o nome de Santo Antonio do Brasil. O nome de São Francisco parece datar de 1644. Comum é o encontro de referências a 'Santo Antonio o velho' em contraosição a 'São Francisco o novo'. No inventário de Manuel Chaves, de 1646, consta 'uma morada de casas que tem nesta villa em que vive junto a Santo Antonio o velho'. Pedroso de Barros, de 1658, vamos encontrar umas 'casas que tem nesta villa em que vive na rua Direira de Santo Antonio o velho'. E no inventario de Janueario Ribeiro, de 1654, apensa aos autos, figura uma notificação em que se lê 'rua de São Francisco o novo'. E isso explica a profunda devoção que nela tem o Santo Antonio, procurado por homens e mulheres, principalmente mulheres, não na sua igreja da Praça do Patriarca, como seria mais consentãneo, mas, na de São Francisco, cujo prestígio nasceu na humilde ermida."

[ARROYO, Leonardo. Igrejas de São Paulo: introdução ao estudo dos templos mais característicos de São Paulo nas suas relações com a crônica da cidade. Rio de Janeiro: José Olympio, 1954, p.51.]

 


Igreja de São Francisco e a Academia de Direito, 1862 / 1863
Os futuros bacharéis em frente a faculdade
FOTOGRAFIA: Militão Augusto de Azevedo

 

O Santo Antônio de São Francisco
na terça-feira: os rapazes na porta da igreja

"Às terças-feiras, então, o movimento dos devotos é muito maior, pois se trata do dia consagrado a Santo Antonio, que lá tem um altar bem cuidado e disputado pelas moças, pelas meninas casadoiras. Essas meninas, isso é comum, deixam os namorados à porta de São Francisco, enquanto diante do Santo Antonio fazem suas preces casamenteiras. Não entram juntos na igreja, porque isso seria mau agouro, na sua crença. Daria briga. Por isso, nessas mesmas terças-feiras, é comum a frente da igreja encher-se de rapazes, principalmente à noite. (...) É curioso porque o ilustre Santo Antonio tem a sua igreja alí na Praça do Patriarca, e nem por isso deixa de ser cortejado na igreja de São Francisco. (...) O que as moças sabem é que Santo Antonio atende melhor em São Francisco, nesses casos de casamentos e de brigas de namorados, do que no seu templo oficial."

[ARROYO, Leonardo. Igrejas de São Paulo: introdução ao estudo dos templos mais característicos de São Paulo nas suas relações com a crônica da cidade. Rio de Janeiro: José Olympio, 1954, p.159.]

 


Largo de São Francisco, c.1874
FOTOGRAFIA: Militão Augusto de Azevedo

 

Frei Diogo e seus milagres

Segundo Leonardo Arroyo, já na década de 1580, haviam integrantes da ordem franciscana em São Paulo. Em suas pesquisas sobre as igrejas da cidade, ele relata um episódio, ocorrido em 1583, quando Frei Diogo encontrou um soldado espanhol blasfemando contra religiosos, nas proximidas do atual Convento da Luz. O frade advertiu o soldado que não gostou da reprimenda e no dia seguinte, ao esbarrar, novamente com o religioso, apunhalou e matou Frei Diogo. O frei foi sepultado pelos jesuítas na Igreja do Colégio (Pátio do Colégio) e por décadas, o nome do franciscano ainda estava presente na memória da população de São Paulo, pois, a ele foram creditados milagres e curas. No século seguinte, em 1639, Frei Manuel de Santa Maria, ao saber do frei "milagroso" procurou por sua sepultura, porém, sem sucesso, pois, todos os sepultados na Igreja do Colégio tiveram seus corpos transladados e re-sepultados em uma única cova, quando da construção de uma nova edificação erguidas para os jesuítas.

 


Faculdade de Direito, 1887 (fachada restaurada em 1884)
FOTOGRAFIA: Militão Augusto de Azevedo

 

A sopa do Frei José, o Santinho

"(...) José de Santo Antonio (...) irmão e depois frei José, o Satinho, a quem até a Câmara da cidade manisfetsva seus interesse. Em 1660 o povo e os oficiais do Senado chegaram a procurar impedir a partida de frei José para Olinda. No convento de São Paulo, (...) desempenhou frei José o ofício de porteiro. Seus prediletos era os pobres com quem repartia seus alimentos. No caso de não ter o que dividir com os mendigos consolava-os com boas palavras. Daí nasceu a sopa dos pobres, que ainda continua a ser distribuída pelo convento. Tal o prestígiio de frei José que a Cãmara, por ocasião de sua partida às ocultas, rumou para Santos, com o objetivo de trazê-lo de volta. Era tarde, porém. O navio de frei José havia partido, levando-o para Olinda."

[ARROYO, Leonardo, DANON, Diana Dorothèa. Memórias e Tempo das Igrejas de São Paulo. São Paulo: Editora Nacional / EDUSP, 1971, p.12].

 

Quando doente, ao receber um prato de comida melhor do que o dos dias normais, para ajudar em sua recuperação, Frei Santinho, suplicava para que dessem o seu alimento para os mais pobres que ele.

 


Largo de São Francisco, 1906
FOTOGRAFIA: Frédéric Manuel
FONTE DA IMAGEM: Brasiliana Fotográfica

 

A construção do convento franciscano
no Centro de São Paulo

Em 28 de novembro de 1624, Felipe III concedeu o alvará para que os franciscanos fundassem seus conventos na Bahia e em São Paulo. Na década seguinte, os franciscanos chegam ao Brasil e começam a busca por um local para erguer seu convento. Em São Paulo, o grupo de frades chegou em 5 de janeiro de 1640 e, passaram a residir, temporariamente na ermida de Santo Antonio:

"A contribuição do povo da Vila para a construção da casa dos franciscanos foi em gêneros os quais o custódio frei Manuel de Santa Maria transformou em 'ornamentos, cálices, livros, ferro, burel, pano de linho e outras miudezas', ele mesmo conduzindo essas coisas para São Paulo quando para cá veio pela segunda vez e onde já se achavam aqueles primeiros sete religiosos da ordem, recolhidos à ermida de Santo Antonio."

[ARROYO, Leonardo. Igrejas de São Paulo: introdução ao estudo dos templos mais característicos de São Paulo nas suas relações com a crônica da cidade. Rio de Janeiro: José Olympio, 1954, p.160.]

 

Os sete religiosos mencionados acima eram: os freis Francisco dos Santos, Manuel Martires, Salvador do Nascimento, Pedro da Piedade, João da Luz e os irmãos leigos Simão do Salvador e José de Santo Antonio. Junto com o custódio frei Manuel de Santa Maria ergueram a primeira casa franciscana na Praça Patriarca. Com a cooperação da população de São Paulo, a obra começou em 17 de abril e em 12 de junho já estava apta para habitação.

Em 1642, frei Francisco das Neves chegou ao Brasil para substituir frei Manuel de Santa Maria. Ao chegar em São Paulo, encontrou seus irmãos franciscanos na Praça do Patriarca e, examinando a situação, decidiu por determinar a mudança de endereço, baseado nos problemas com falta de água e nos ventos fortes que atingiam o local.

Ainda em 1642, na sessão do dia 24 de dezembro, a Câmara

"passava uma carta de data de chão aos frades da Custódia de Santo Antônio. Nessa carta lê-se que 'nossos Antecessores lhes haviam dado um sítio para edificarem seu mosteiro, e porque o dito sítio é falto de agua, e mui sujeito à inclemencia do tempo, por ser lugar alto, e desabrigado', pediam outro terreno , 'mais para baixo do dito sitio para a banda do rio Anhengobá está outro capaz, e acomodado, nos pediam lhe dessemos oitenta braças de chãos de comprimento começando da ponta das casas de Pedro Leme do Prado, ficando rua em meio, e setenta braças de largo na cháa (?) de cima, e para o corrego que houver até o canto do muro do sitio de Domingos Coutinho, e dai cortando para a pedreira até se meter no olho da agua, que perto dela está."

[ARROYO, Leonardo. Igrejas de São Paulo: introdução ao estudo dos templos mais característicos de São Paulo nas suas relações com a crônica da cidade. Rio de Janeiro: José Olympio, 1954, p.163.]

 

O novo convento foi inaugurado no dia 17 de setembro de 1647, no dia das Festas de Chagas de São Francisco, com o título de Convento de São Francisco e São Domingos. Segundo, Leonardo Arroyo, apesar do conjunto ser, oficialmente, inaugurado em 1647, há outras informações que indicam que a igreja foi concluída já em 1643, pois

"no inventário de Manuel João Branco, de 1643, há uma passagem elucidativa nesse sentido, quando se especifica a exist~encia de 'dez braças de chão que estão pegados á igreja nova que fez de São Francisco em dez mil réis digo avaliados em dez mil réis'."

[ARROYO, Leonardo. Igrejas de São Paulo: introdução ao estudo dos templos mais característicos de São Paulo nas suas relações com a crônica da cidade. Rio de Janeiro: José Olympio, 1954, p.163-164.]

 

Em 1648, foi registrado o primeiro sepultamento na igreja de São Francisco, a de Pedro Fernandes. Em 1691, há o registro no inventário de Joana Lopes, dispondo que seu corpo fosse enterrado no Convento de São Francisco, na Capela da Venerável Ordem Terceira.

Nessa época (século XVII), não existia o espaço que hoje conhecemos como Largo de São Francisco. A área em frente ao convento era o terreno de plantio dos fraciscanos, com horta e pomar; em frente à igreja, um pequeno largo conhecido como "Adro de São Francisco", posteriormente chamado de "largo do Capim" e depois, 'Largo do Ouvidor". Havia também, em frente a igreja, uma cruz de pedra que peermaneceu no local até 1870.

Apesar de histórias como a do Frei Santinho, os frades seguiam, por assim dizer, os costumes da época, e

"possuíam os seus escravos, as sua senzalas ao lado do convento, que trabalhavam em atividades agrícolas. Na sessão de 2 de maio de 1733 se 'pasou hum rol dos moradores das casas contiguas as sanzalas dos Reverendos Padres de Sam Francisco, desta cidade'."

[ARROYO, Leonardo. Igrejas de São Paulo: introdução ao estudo dos templos mais característicos de São Paulo nas suas relações com a crônica da cidade. Rio de Janeiro: José Olympio, 1954, p.165.]

 

Em 11 de junho de 1776, os franciscanos obtiveram um alvará que autorizava a criação de uma escola no local, com oito disciplinas (oito cadeiras): retórica, hebraico, grego, filosofia, história eclesiástica, teologia dogmática, teologia moral e teologia exegética. A existência desses cursos talvez expliquem porque o convento foi escolhido para sediar, anos depois, o curso jurídico (1828), em detrimento dos outros conventos existentes na cidade.

Ao final do século XVIII, os franciscanos gozavam de prestígio na cidade, um exemplo da importância do grupo, aconteceu em 27 de maio de 1797, quando o Bispo Mateus de Abreu Pereira fez sua entrada solene a partir do convento.

Em 1828, o convento cedeu seus aposentos para a Academia de Direito e durante o processo de desapropriação, os frades que ali moravam foram "distribuídos" para outros conventos. Além do espaço para as salas de aula, a biblioteca dos frades, com cerca de 5 mil volumes, também foi cedida para o curso jurídico. Com o espaço ocupado pelos bacharéis, a administração da Igreja de São Francisco passou para o grupo da Ordem Terceira de São Francisco, e com ela permaneceu até 1858. O governou tentou desapropriar a igreja, em 1910, porém, sem sucesso.

Em sua passagem por São Paulo, Daniel P. Kidder ficou impressionado com a Capela da Ordem Terceira da Penitência de São Francisco (Igreja das Chagas do Seráfico Pai São Francisco), com suas imagens e pinturas coloridas, trabalhos realizados por Luís Rodrigues Lisboa e José Patrício.

A Irmandade de São Beneditino tomou posse da igreja em 1858 e depôs a imagem de São Francisco do altar, trocando-o pela de São Benedito. O novo grupo não agradou os professores e alunos do curso jurídico que em seguida fundaram a Irmandade de São Francisco, com o objetivo de trazer os franciscanos de volta para a administração da igreja. Sob a chefia de Frei Estanislau Pinez, os franciscanos retomaram sua igreja, seu santo retomou seu lugar no altar - segundo Leonardo Arroyo, para que isso acontecesse, foi necessário recorrer na justiça contra a Irmandade de São Benedito.

Um incêndio, em 1870, destruiu o altar-mor e gráças aos lentes da Academia de Direito que arrecadaram doações, foi possível importar da Alemanha, um novo altar-mor, sagrado por Dom Lino Deodato em 1880.

 

CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo

Número do Processo: 00040/71
Resolução de Tombamento: Resolução 15 de 19/04/1982
Livro do Tombo Histórico: inscrição nº 167, p. 38, 06/05/1982

 

Resolução SC 15/82, de 19 de abril de 1982, publicado no DOE 23/04/82.

O Secretário Extraordinário da Cultura, no uso de suas atribuições legais e nos termos do artigo 1o do Decreto-Lei no 149, de 15 de agosto de 1969

Considerando o valor histórico e ambiental, da Igreja de São Francisco de Assis da Venerável Ordem dos Frades Menores, na malha urbana da cidade de São Paulo, coerente com a implantação das Ordens Conventuais presente em toda cidade antiga brasileira;

Considerando sua antiguidade, cujo corpo central remonta à metade do século XVII, bem como seus méritos arquitetônicos,

Resolve:

Artigo 1o – Fica tombada a Igreja de São Francisco de Assis, localizada no Largo de São Francisco, no 133, como monumento de interesse ambiental e histórico-cultural.

Artigo 2o - Fica o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado autorizado a inscrever no Livro do Tombo competente o imóvel em referência, para os devidos e legais efeitos.

Artigo 3o – Esta Resolução entrará em vigor na data da sua publicação.

 

Número do Processo: 00041/71
Resolução de Tombamento: Resolução 16 de 19/4/82
Livro do Tombo Histórico: inscrição nº 335, p. 166, p. 38, 06/05/1982

 

Resolução SC 16/82, de 19 de abril de 1982, publicado no DOE 23/04/82.

Antônio Henrique da Cunha Bueno, Secretário Extraordinário da Cultura, no uso de suas atribuições legais e nos termos do artigo 1o do Decreto-Lei no 149, de 15 de agosto de 1969,

RESOLVE:

Artigo 1o – Fica tombado como bem cultural de interesse histórico a Igreja das Chagas do Seraphico Pai São Francisco da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, situada no largo São Francisco nesta Capital, único exemplar arquitetônico, embora com acréscimos posteriores, remanescente do século XVIII dentro do núcleo urbano de São Paulo.

Artigo 2o – Fica o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado autorizado a inscrever no Livro do Tombo competente, o imóvel em referência, para os devidos e legais efeitos.

Artigo 3o - Esta Resolução entrará em vigor na data de sua publicação.

 

CONPRESP - Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo

RESOLUÇÃO Nº 01/CONPRESP/2015

O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo - CONPRESP, no uso de suas atribuições legais e nos termos da Lei nº 10.032, de 27 de dezembro de 1985, e alterações posteriores, e de acordo com a decisão dos Conselheiros presentes à 604ª Reunião Ordinária, realizada em 10 de março de 2015,

CONSIDERANDO que os imóveis denominados EDIFÍCIO SALDANHA MARINHO, IGREJA DAS CHAGAS DO SERÁPHICO PAI SÃO FRANCISCO e IGREJA DE SÃO FRANCISCO DA VENERÁVEL ORDEM DOS FRADES MENORES, bens tombados "ex-officio" pela Resolução 05/CONPRESP/91, situados em torno do antigo Largo São Francisco, não possuem diretrizes específicas para a ocupação de sua área envoltória;

CONSIDERANDO que o ambiente urbano atual do antigo Largo São Francisco reúne relevantes exemplares de edificações, muitas já reconhecidas como patrimônio arquitetônico através de tombamentos anteriores e que o conjunto de edifícios tombados, antigos e modernos, das imediações do antigo Largo São Francisco é representante das várias fases de ocupação do centro da cidade de São Paulo;

CONSIDERANDO as transformações do traçado urbanístico desta área ao longo da história do desenvolvimento urbano da cidade, como a ampliação das calçadas e da Praça do Ouvidor Pacheco E. Silva, mas também as permanências, tais como as perspectivas visuais para os bens tombados que se mantém ao longo das ruas São Francisco, São Bento e Líbero Badaró;

CONSIDERANDO os valores histórico, simbólico e afetivo desta área central de São Paulo, núcleo por onde se iniciou a ocupação da cidade desde o século XVII e que constitui um dos vértices do espaço conhecido como “Triângulo”, bem como a geografia do sítio;

CONSIDERANDO o disposto nas Resoluções nº 37/CONPRESP/92 e nº 17/CONPRESP/07, da Área do Anhangabaú e Centro Velho, respectivamente, que estabelecem o tombamento e a proteção de outros bens em torno do antigo Largo São Francisco;

CONSIDERANDO a necessidade de racionalizar as ações das diversas instâncias da administração pública na aprovação de projetos e obras nessa área envoltória;

CONSIDERANDO a análise conjunta dos órgãos de preservação municipal e estadual do tema tratado, a partir da organização do Escritório Técnico de Gestão Compartilhada; e

CONSIDERANDO o contido no processo administrativo nº 2014-0.037.387-1,

RESOLVE:

Artigo 1º – REGULAMENTAR A ÁREA ENVOLTÓRIA dos seguintes bens tombados pela Resolução. 05/CONPRESP/91, localizados ao redor do Largo São Francisco, Centro, Subprefeitura da Sé:

(...)

• IGREJA DAS CHAGAS DO SERÁPHICO PAI SÃO FRANCISCO, localizada no Largo São Francisco nº 173 - tombamento pelo Condephaat RES. SC 16/82 (Setor 005 - Quadra 013 - Lote 0005-8, Cadastro de Contribuintes da Secretaria de Finanças e Desenvolvimento Econômico);

• IGREJA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS DA VENERÁVEL ORDEM DOS FRADES MENORES, localizada no Largo São Francisco nº 133 com Rua Riachuelo nº 258, 268, 272 e 314 - tombamento pelo Condephaat através da RES. SC 15/82 (Setor 005 - Quadra 013 - Lote 00119-4, do Cadastro de Contribuintes da Secretaria de Finanças e Desenvolvimento Econômico).

Artigo 2º – Passam a ter restrições e diretrizes específicas, enquanto área envoltória de proteção dos bens tombados definidos no Artigo 1º, os imóveis listados a seguir:

 

Parágrafo Primeiro – As intervenções nos imóveis definidos como área envoltória estão sujeitas à prévia análise e aprovação do DPH e CONPRESP, com base na apreciação, caso a caso, de elementos que possam vir a interferir na ambiência, visibilidade e harmonia dos bens tombados, tais como: implantação, gabarito, controle da volumetria, textura, cor e quaisquer outros que venham a ser identificados na análise da intervenção proposta.

Parágrafo Segundo – As intervenções internas nos imóveis definidos como área envoltória estão dispensadas de análise pelo DPH/CONPRESP.

Artigo 3º – Qualquer intervenção nas fachadas e empenas, mesmo que de pintura, manutenção, conservação, ou alteração de revestimentos, dos edifícios abaixo identificados, deverão ser objeto de prévia análise e aprovação do DPH/CONPRESP:

• Rua José Bonifácio nº 237, 241, 245 (Setor 005 - Quadra 010 - Lote 0002-1);
Rua São Francisco nº 26, 34 (Setor 005 - Quadra 010 - Lotes 0213-8 a 0222-7, 0225-1 a 0231-6, 0344-4 a 0345-2, 0347-9 a 0351-7);
Rua Senador Feijó nº 164, 168, 170, 176 com Rua Benjamin Constant nº 187 (Setor 005 - Quadra 014 - Lote 0001-1);
Rua Riachuelo nº 231, 241 com Avenida Vinte e Três de Maio nº 15 (Setor 005 - Quadra 019 - Lotes 0388-7 a 0748-3, 0753-1 a 0890-0, 0898-6 a 1033-6, 1051-4).

Artigo 4º – Passam a ter restrições e diretrizes específicas, enquanto área envoltória de proteção dos bens tombados definidos no Artigo 1º, os logradouros listados a seguir:

• Praça Alfeu de Monteiro Duarte - a proteção incide sobre o espaço público na sua área conjunta às quadras 013 e 014;
• Praça do Ouvidor Pacheco e Silva - a proteção incide sobre o espaço público na sua área conjunta às quadras 009 e 010;
Rua São Bento (Cod. Log. 02.210-7) - a proteção incide sobre a perspectiva visual estabelecida entre o Mosteiro São Bento e a Igrejas de São Francisco, incluindo-se a área livre da praça à frente do Mosteiro de São Bento;
Rua São Francisco (Cod. Log. 07.336-9) - a proteção incide sobre a perspectiva visual para as Igrejas de São Francisco.

Parágrafo Único – As intervenções nos logradouros definidos como integrantes da área envoltória estão sujeitas à prévia análise e aprovação do DPH e CONPRESP e devem garantir as perspectivas visuais aos bens tombados, sendo estes desobstruídos de obstáculos permanentes que venham interferir na evidência e destaque dos bens tombados na paisagem, tais como: mobiliário urbano, vegetação, anúncios e quaisquer outros que venham a ser identificados na análise da intervenção proposta.

Artigo 5º – Esta Resolução entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

Publicada no DOC 31/03/2015 – páginas 57 e 58

Republicada no DOC 06/10/2015 – páginas 54 e 55

 

RESOLUÇÃO Nº 05/CONPRESP/1991

Por decisão unânime dos Conselheiros presentes à reunião realizada aos cinco dias do mês de abril de 1991, o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo - CONPRESP, resolve, nos termos e para os fins da Lei no 10.032/85, com as alterações introduzidas pela Lei n o 10.236/86, tombar "ex-officio" os bens abaixo descriminados:

(...)

35) Igreja de São Francisco de Assis da Venerável Ordem dos Frades Menores - Largo São Francisco, 133 - Centro;

(...)

Esta resolução deverá ser submetida à efetivação da Senhora Secretária, bem como homologada pela Senhora Prefeita, com posterior registro no livro próprio.

 

[+] história do comércio do centro de são paulo

[+] dicionário online sobre o centro de são paulo

 

Publique seu livro.

 

como citar essa página em seu artigo acadêmico

YAMAGAWA, Mônica. Igreja de São Francisco de Assis da Venerável Ordem dos Frades Menores, Igreja das Chagas do Seráfico Pai São Francisco da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência - Dicionário do Centro de São Paulo. Moyarte. Disponível em: <http://www.moyarte.com.br/centro-de-sao-paulo/dicionario-do-centro- de-sao-paulo/ indice-dicionario.html>. Acesso em: 25 Jan. 2022. [Em "Acesso em", indicar a data de consulta, data de acesso ao site].

 

 

referência bibliográficas

ARROYO, Leonardo. Igrejas de São Paulo: introdução ao estudo dos templos mais característicos de São Paulo nas suas relações com a crônica da cidade. Rio de Janeiro: José Olympio, 1954.

ARROYO, Leonardo, DANON, Diana Dorothèa. Memórias e Tempo das Igrejas de São Paulo. São Paulo: Editora Nacional / EDUSP, 1971.

BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO. São Paulo: SNM – Secretaria de Estado dos Negócios Metropolitanos, EMPLASA – Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A e SEMPLA – Secretaria Municipal de Planejamento, 1984.

CANNABRAVA, Iatã, GORDINHO, Margarida Cintra. Patrimônio da metrópole paulistana. São Paulo: Terceiro Nome / Secretaria do Estado de Cultura, 2010.

KAMIDE, Edna Hiroe Miguita, PEREIRA, Terza Cristina Rodrigues (coord). Patrimônio Cultural Paulista: CONDEPHAAT, bens tombados 1968-1998. São Paulo: Imesp, 1998.

 

 

dicionário sobre o centro de são paulo

[clique nas letras para acessar a listagem de verbetes disponíveis]

 

A

B

C

D

E

F

G

H

I

J

K

L

M

N

O

P

Q

R

S

T

U

V

W

X

Y

Z

 

 

 

história do centro de são paulo: cronologia

Informações sobre a história do Centro de São Paulo organizadas por séculos e divididas por décadas para facilitar a pesquisa.

[+] leia mais

história do comércio do centro de são paulo

Informações sobre estabelecimentos comerciais, bancários, educacionais e outros relacionados ao setor terciário, que existiram no Centro de São Paulo, assim como, estabelecimentos históricos que ainda funcionam na região.

[+] leia mais

dicionário online sobre o centro de são paulo

Verbetes sobre o Centro de São Paulo: moradores, estabelecimentos comerciais, edificações, entre outros.

[+] leia mais

história dos logradouros do centro de são paulo

Informações sobre os logradouros localizados no Centro de São Paulo, incluindo os que desapareceram com as alterações urbanas realizadas desde a fundação da cidade.

[+] leia mais

biblioteca online sobre o centro de são paulo

Indicações de livros, artigos, sites, vídeos sobre o Centro de São Paulo.

[+] leia mais

patrimônio cultural do centro de são paulo

Informações sobre bens tombados, legislação, tombamento do Iphan, Condephaat e Conpresp. Notícias sobre os bens tombados. Projetos de requalificação urbana e preservação do patrimônio cultural tombado.

[+] leia mais

home            sobre o moyarte            contato